♀ O Conto da Aia | Resenha

O Conto da Aia está levantando muitos debates atualmente, mesmo que seu lançamento seja de 1985, Atwood abriu os olhos de todo mundo de uma maneira surpreendente, chegando ao topo de vendas e para minha visão é uma leitura quase que obrigatória.

Não estou falando de um romance distópico já que o livro pode muito bem ser relacionado dessa maneira, mas vai além. É a nossa realidade e até mesmo a própria autora já falou sobre:
Esses fatos poderiam ter acontecido porque
tiveram precedentes no mundo real - Atwood.

 INFORMAÇÕES DO LIVRO



O Conto da Aia
The Handmaid's Tale
Margaret Atwood
368 páginas | Editora Rocco
★★★★★

O romance distópico O Conto da Aia, de Margaret Atwood, se passa num futuro muito próximo e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes. As universidades foram extintas. Também já não há advogados, porque ninguém tem direito a defesa. Os cidadãos considerados criminosos são fuzilados e pendurados mortos no Muro, em praça pública, para servir de exemplo enquanto seus corpos apodrecem à vista de todos.

Para merecer esse destino, não é preciso fazer muita coisa basta, por exemplo, cantar qualquer canção que contenha palavras proibidas pelo regime, como “liberdade”. Nesse Estado teocrático e totalitário, as mulheres são as vítimas preferenciais, anuladas por uma opressão sem precedentes. O nome dessa república é Gilead, mas já foi Estados Unidos da América.

MINHA RESENHA

No livro conhecemos, a nossa querida protagonista Offred, uma Aia, não por querer fazer parte, mas por obrigação. Isso acontece com as mulheres que querem sobreviver, mas não é exatamente um mar de rosas. O sistema teocrático e totalitário não as deixa viverem como querem. São identificadas pela capa vermelha e por sua função: ter um filho para o então casal da elite que lhe é destinado.
Os jovens são com frequência os mais perigosos,
os mais fanáticos, os mais nervosos com suas armas.
Mas o mundo não era assim, as mulheres não eram tratadas assim. Todas já foram livres, faziam faculdade, tinham sua família, filhos e tudo mais. Tinham poder sobre si. Mas agora os homens comandam e elas são tratadas como deveriam ser tratadas, o sexo frágil.

Na verdade, algumas delas. As férteis, seguem a vida como Aias até não conseguirem mais procriar (ou cometerem suicídio), outras como Tias e Marthas. Algumas são penduradas no muro por traição de gênero e outras levadas para as Colônias - mas nem todas são mulheres, há homens também.
Que a mulher aprenda em silêncio com toda a sujeição.
Mas não tolerarei que uma mulher ensine,
nem usurpe a autoridade do homem,
apenas que se mantenha em silêncio.
Offred relata isso nos capítulos e como tudo isso é completamente absurdo. Em alguns momentos não consegui prosseguir a leitura por medo. Eu me senti altamente ligado na personagens e em momentos de tensão, eu pedia que ela fosse cuidadosa. Ela consegue se alavancar sobre tudo e é aí que a história fica mais instigante.
Essa é uma das coisas que eles fazem.
Obrigam você a matar dentro de você.
Independente de estarem em pares, grupos, sozinhas ou na companhia da odiável Tia Lydia, sentimos a tensão pela punição, pela morte e pelo perigo da elite. Abordando sobre a religião, sexualidade, fragilidade masculina, aborto, intolerância religiosa e estrupo (aos olhos de Deus seguindo Gênesis, com consentimento da esposa, mas sem o da Aia já que é obrigada, está no seu papel aceitar sem questionar), somos levados a momentos de tortura, amor e sangue.

Digo a vocês que o livro pode ter diferentes reações com vocês, mas comigo foi impactante e angustiante. É uma leitura necessária sem qualquer dúvida, e o que torna mais interessante é que após 34 anos vejo uma proximidade enorme com nossa atualidade.
Nolite  te bastardes carborundorum.
Foto Autoral (@yelloobow)/Instagram
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1 comentários

  1. Oi Ytalo.

    Realmente, o livro é angustiante. Considero um dos livros favoritos da minha estante e quero relê-lo em algum momento na minha vida porque é uma leitura necessária e importante. Parabéns pela resenha.

    Bjos
    https://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com/

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