🔪 Da Empatia ao Ódio


Todas as histórias que envolvem serial killers que grosseiramente descrevo como louco psicótico perduram por muito tempo. Essa atravessou gerações e está em nossa companhia até hoje, sendo um clássico original de Robert Bloch publicado originalmente em 1959, livremente inspirado no caso do assassino de Wisconsin, Ed Gein.

🔪 PSICOSE


No clássico, somos levados a história de Mary Crane (Marion), que roubou US$40.000 de seus empregadores e deixou a cidade com um plano vago de juntar-se ao seu noivo, que mora na distante cidade de Fairvale. Depois de fazer uma curva errada e encontrar uma tempestade feroz, ela decide passar a noite no Motel Bates.

O proprietário Norman Bates é um homem tímido e excêntrico que ainda vive com a mãe em uma casa atrás do motel. À primeira vista, ele parece inofensivo, um pouco estranho, mas dificilmente perigoso. No entanto, seu relacionamento com a mãe é peculiar, talvez até um pouco doente.

Norman se interessa por sua atraente inquilina e até a convida para jantar em casa. Mas mamãe é um cartão selvagem. Ela não gosta de seu filho brincando com mulheres, e ela decide levar o assunto para suas próprias mãos sangrentas. Mas nada é o que parece neste romance. Norman Bates não é tão inocente quanto parece, e a mãe é ainda mais uma vítima do que um vitimizador.


🔪 BATES MOTEL


O prólogo contemporâneo para o filme Psycho de 1960 e baseado na obra de Robert, é uma série da A&E produzida pela Universal que estreou em 2013, Bates Motel.

Com um total de 5 temporadas, 50 episódios e aclamações da crítica e público, Psicose reviveu mais uma vez seus tempos de glória e nos levou ao passado, mostrando a vida de Norma e Norman antes dos eventos do filme de Hitchcock.

Na história, após a misteriosa morte de seu marido, Norma Bates decidiu começar uma nova vida longe do Arizona, na pequena cidade de White Pine Bay, em Oregon, e leva o filho Norman, de 17 anos, com ela. Ela compra um velho motel abandonado e a mansão ao lado. Mãe e filho sempre compartilharam uma relação complexa, quase incestuosa. Trágicos acontecimentos vão empurrá-los ainda mais. Todos eles agora compartilham um segredo obscuro.

🔪 ANÁLISE DA SÉRIE


Eu não tenho palavras concretas para explicar minha experiência com esse universo. É brutal, interessante e chega a ser perturbador. Nas primeiras duas temporadas, as mortes e acontecimentos fazem a gente pensar muito sobre a relação mãe e filho, sobre limites e sobre liberdade.

Começamos empáticos com o Norman, pensando que tudo que aconteceu até ali foi por precaução, acidental ou que a culpa é da sua mãe muito paranoica em relação ao filho, de ser e estar sempre para ele e por ninguém mais, criando um casulo amoroso e ameaçador.

Mas então tudo muda. Comecei a sentir ódio pelo Norman, porque tudo fica intenso, nervoso e cruel. O meu desejo era que Romero desse logo um jeito nele, mas a sua mãe sempre interferia e passei a odiar os dois, porém senti pena dela e das pessoas que chegam ao redor do jovem, percebendo depois que errei julgando alguns personagens até o momento. Sentimos aqui o baque final: a loucura, a relação maternal abalada, estranhos sentimentos e vontades psicóticas.

Neste momento, somos apresentados a um jovem desesperado pela perda e que usufruiu a mãe para dentro de si, criando uma dupla personalidade ainda mais sombria. A partir da quarta temporada, tive que assistir com mais calma, já que fica perturbador ao passar dos minutos, mas além de tudo tem um final digno, que se procede ao universo de Psicose de Robert Bloch e Alfred Hitchcock, onde mesmo com seus diferenciais, são importantes cruéis e incríveis de ser visto, lido e descoberto.


🔪 NORMAN BATES, PSICÓTICO.


Norman Bates é o antagonista do universo. Com a personalidade dividida entre o velho Norman e sua mãe, Norma, ele se veste como ela e tem momentos que conversa consigo mesmo.

As mortes não param com a mãe, ele continua matando as mulheres que chegam ao motel que ele acha atraente. Tentar entender como Norman se tornou um assassino é complicado. Não temos um contexto real sobre o seu passado, mas o modo de personificação de sua mãe chega a dar um pouco da conclusão. A dominação e controle materno, a verbalização acusadora e grosseira, a culpa que o jovem chegaria a escutar, sendo maltratado por ela e sendo excluído do exterior é quase uma chave. 

A única coisa que poderia existir na vida de Norman era sua mãe. Mas os jovens crescem, a relação mãe e filho tende a se distanciar para que se descubra mais sobre si, mas isso não aconteceu aqui. Ele nunca teve a chance de explorar seus desejos sexuais com outras pessoas. A única pessoa que Norman poderia colocar nesses instintos sexuais era sua mãe. Não existia o físico, mas existia o sentimento, o ciúme e um amor.

Se levarmos em consideração da psicologia, podemos relatar a teoria de Sigmund Freud, a teoria da sexualidade infantil, onde uma criança tem instintos sexuais que estão presentes na infância e depois são reprimidos.

Uma infância “normal” seria reprimir todos esses sentimentos sexuais em relação aos próprios pais e colocá-los em outras coisas ou pessoas. Norman nunca reprimiu esses instintos sexuais quando criança já que não tinha conhecimento exterior para produzir esses instintos. Norman ficou preso com a mãe e desenvolveu um relacionamento anormal com ela, onde sem essa socialização desenvolveu um complexo de Édipo, deseja dormir com sua mãe e tem sentimentos de matar seu próprio pai.

🔪 EDIÇÕES NO BRASIL


No Brasil, para os apaixonados pela história, existem duas edições em circulação lançados pela editora Darkside Books. Ambas (encadernado e limitado) trazem a história completa porém com diferenciais de edição que apenas tendo em mãos para ver.

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20 comentários

  1. Nossa, tenho que ser sincera, nada do que você disse me faz ter a sensação de odio ou empatia neste post, calma, não é que seja ruim seu post, ao contrário é muito interessante, mas sinceridade, não é um universo por assim dizer que me atraia, eu não gosto, apesar de bates motel por exemplo me ser muito recomendado por alguns amigos não é minha praia, faz parte né. rs
    Mas parabéns pelo post, está ótimo.

    Beijos

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    1. Entendo e obrigado. Séries, livros e filmes com abordagens assim não são para qualquer um.

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  2. Hey!
    Comecei a assistir a série, mas achei um pouco parada no início e não tive paciência para ver o resto. Se não me engano, vi 3 episódios só.
    Lendo sua resenha, acho que se eu tivesse um pouco mais de paciência ia gostar sim da história.
    Gosto de coisas com essa pegada voltada para psicologia e acredito que ia achar tão interessante quanto você achou.

    Beijos!

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    1. O começo é meio parado mesmo e com algumas coisas que fazem menor sentido, mas que vão sendo abordados e explorados nas cinco temporadas. É muito interessante.

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  3. Não sabia que tinha uma série, o livro eu conheço e quero muito ler. Achei muito legal teu post.
    Bjos
    Vivi
    http://duaslivreiras.blogspot.com/

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    1. Obrigado! Indico a série, é muito boa caso interesse.

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  4. Eu ainda não consegui finalizar essa série. Mas assisti ao filme várias vezes seguidas - pois precisei fazer um trabalho pro curso de fotografia. Gosto muito do clássico, mas a série não conseguiu me prender =/ ainda quero retomá-la.

    Beijos
    Sai da Minha Lente

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  5. Eu gosto bastante desse universo criado através de Psicose. Gosto do filme clássico, tendo assistido apenas ao primeiro e adorado, e gosto da série, a qual estou iniciando a 4° temporada. Acredito que essa história ainda pode servir para muitas inspirações e fico ansiosa para consumir tudo!

    www.sonhandoatravesdepalavras.com.br

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    1. Verdade, o universo de Psicose é abrangente e curiosa. Para aqueles que sentem a curiosidade, será difícil largar tão rapidamente.

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  6. Eu sei sobre o que é a história, mas não sei se é meu estilo de série de tv ou filme, mesmo sendo tão famoso e intrigante.
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

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  7. Definitivamente, preciso ver essa série, super me interesso pelo gênero e amei a sua dica.

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  8. Embora eu não tenha assistido a todos os episódios da série, eu que eu vi eu gostei muito e ainda quero finalizar, mas cadê tempo?

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    1. Realmente, o tempo é o nosso pior companheiro, mas um dia você consegue! :3

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  9. Olha, eu adorei a sua visão de tudo, mas confesso que é algo que eu não curto :( fico agoniada só de pensar em ter alguém por aí assim hahaha. Mas convenhamos que as edições do BR são lindas!

    Beijos,
    Blog PS Amo Leitura

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    1. Quando eu comecei a terceira temporada, olha, eu ficava olhando algumas pessoas, um tanto agoniado, mas depois passou. É algo que fertiliza a mente... acontece!

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  10. Oi, tudo bem?
    Eu confesso que nunca tive muita curiosidade para ler o livro, assistir ao filme ou ver a série. É um gênero que realmente não me atrai. E um amigo ainda estragou qualquer curiosidade que eu pudesse ter me contando a história toda. Porém, achei muito interessante a análise que você fez. Sem dúvida, é uma história muito complexa, especialmente ao analisarmos o antagonista. Não sei se eu conseguiria sentir empatia por ele, mas gostei muito da forma como você o analisou.
    Ah e não posso deixar de comentar sobre as edições da DarkSide. Mesmo não sendo meu estilo de leitura, acho ambas incríveis.
    Beijos!

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    1. Spoilers estragam tudo :(
      Mas obrigado por gostar da minha abordagem!

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