💛 Você sabe o que é SICK-LIT?


Estamos em pleno mês de setembro. A primavera dá seus passos com o florescimento e dando a todos belas paisagens, os virginianos ficam ligados no horóscopo, faço alguns aninhos (podem trazer balões!) e também é pauta nas escolas e veículos de comunicação sobre suicídio, ansiedade e depressão: Setembro Amarelo.

Vou abordar mais sobre isso nas próximas postagens, mas quero abrir com o termo SICK-LIT. Já ouviu falar deste termo? Conhece o significado ou sobre o que aborda? Se não, prepare-se para as informações e boa leitura!

SICK-LIT

O termo inglês não é tão antigo assim, veio a ser veiculado no início de 2013, quando os romances que chegavam ao topo do The New York Times eram sobre histórias tristes, depressivas e melancólicas.

Foi uma mudança radical já que o mercado literário estava acostumado com a dominação de magia, vampiros, hobbits, princesas e sedução. Ao verem que livros como 'A Culpa é das Estrelas' de John Green, 'As Vantagens de Ser Invisível' de Stephen Chbosky , 'Os 13 Porquês' de Jay Asher e muitos outros estavam dominando o mercado, críticos e classificadores literários colaram a etiqueta que não é bem aceita até hoje.

Frase do livro Lembra Aquela Vez de Adam Silvera

Você deixaria seu irmão mais novo, filho ou amigos comprarem um livro da sessão SICK-LIT em uma livraria? Bom, se não conhecer sobre, seria de boas. E que tal traduzir para Literatura Enferma ou Doentia?

O termo carrega uma conotação negativa, mas é a mais próxima dos adolescentes pelos personagens que os cativam e pelas histórias romantizadas, mesmo trazendo ensinamentos. Dentre os protagonistas temos doenças graves, depressão, anorexia e a tentativa ou o próprio suicídio.

Isso ficou tão enorme que foi levado aos cinemas e viraram séries. Para você ter uma noção, o filme de 'A Culpa é das Estrelas' arrecadou nada mais que US$304 milhões em bilheteria. Isso só mostrou a força do gênero que está em alta até hoje.
Alguns protagonistas conseguem dar a volta por cima de forma inspiradora, outros são levados ao ápice e se tornam quase um vilão. Um dos problemas deste é a inspiração já que a mente adolescente é mais suscetível a seguir os passos dos personagens, ou sejam, os mais influenciáveis pela história.

Em 'Os 13 Porquês', abordando sobre estrupo, suicídio e ambiente escolar, treze pessoas recebem misteriosamente algumas fitas cassete e, por meio das gravações existentes nelas, descobrem que são uma das razões pelas quais Hannah Baker se suicidou.

Nas fitas, Hannah explica que a decisão de tirar a sua própria vida é devido a treze motivos. São circunstâncias aparentemente pequenas, mas elas geram uma bola de neve que, no final, transforma-se em algo maior.

Este levantou muito debates, o que é bom por um lado já que trouxe conversas intensivas sobre suicídio, mas não veio à tona os outros temas trazidos no livro. O que ficou marcante foi o suicídio de Hannah e a forma de justificar o ato.

Mais tarde, a história foi trazida pelo serviço de streaming Netflix que tornou a história gigantesca, e junto com ela veio então a inspirações. Notícias começaram a aparecer em jornais sobre jovens que se suicidaram e deixaram cartas explicando o porquê de terem tirado a própria vida.
Em 'Extraordinário', August Pullman nasceu com uma deformidade facial e vai enfrentar a escola pela primeira vez. O desafio de August é convencer seus novos colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é apenas um menino igual aos outros.

A autora conta que a ideia para a obra surgiu de uma experiência real, quando estava numa sorveteria com seus dois filhos e eles encontraram uma menina com uma grave deformidade facial, o que fez com que as crianças se assustassem, deixando a mãe sem saber o que fazer.

Em 'A Lista Negra', Valerie fala sobre seu ex-namorado, Nick, que atirou nos colegas da escola e depois se suicidou. Eles estavam numa “lista negra”, um caderno em que o casal escrevia o nome de todos e tudo que odiavam.

Valerie jamais imaginaria que Nick usaria a lista para aquele fim. Apesar de atingida no massacre, Valerie ainda consegue salvar uma colega e tem de lidar com a culpa e o perdão.

Imagem do acervo Biblioteca Parque Villa-Lobos/Adolescentes e Leitores

Não estou dizendo que não leiam sobre, mas tudo depende da visão do autor e como a trama é elaborada. Eu sou um seguidor nato dessas histórias, mas tem umas que só a misericórdia para salvar a história que ao invés de trazer ensinamento, traz é problemáticas.

John Green em 'A Culpa é das Estrelas', por exemplo, mostra ambos os lados: a tristeza e o transcender os desafios. Independentemente das opiniões, a controvérsia já foi criada e não tem como voltar atrás.

Existem aqueles que apoiam e questionam já que definem como polêmico demais para alguém tão jovem, mas acho válido a leitura pois uma das importâncias da literatura é poder trazer novas discussões.

É necessário que assuntos assim também façam parte dentro de espaços educativos que recebam jovens e adolescentes e que os pais falem sobre, mas se não acontece, que esse gênero abra o diálogo para com todos. O que não podemos fazer é ignorar sendo que tem uma raiz praticamente social.

WISHLIST

 

FONTES QUE AJUDARAM NA COMPOSIÇÃO DESTA POSTAGEM:

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8 comentários

  1. Oi, tudo bem? Acho que os livros mais clássicos que consigo lembrar dessa classificação, também young adults, são "Os sofrimentos do jovem Werther", que fala sobre suicídio, e "O apanhador no campo de centeio", que fala sobre saúde mental. Eu gosto desse tipo de leitura, mas confesso que, ultimamente, tenho preferido outras. Acho que o termo se popularizou bastante depois de "A culpa é das estrelas"., tanto é que, logo depois, muitos livros com a mesma storyline foram lançados e tiveram sucesso.

    Love, Nina.
    www.ninaeuma.blogspot.com

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  2. Eu sempre imaginei que esse genero fosse pesado, só pelo Sick, mas nunca tinha parado pra pesquisar livros desse genero e descobri que eu tenho e li vários dessa lista que você colocou.
    Não posso dizer que eu amo o genero, mas gosto muito, 13rw me salvou a um tempo atras, foi uma leitura muito boa! Por Lugares Incriveis e o Ultimo Adeus são livros que eu quero muito ler! Adorei esse post!

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  3. Eu já li alguns livros que se encaixam nessa descrição, inclusive alguns que você cita no post. Apesar de achar que pode ser uma temática interessante, às vezes não funciona tão bem.
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

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  4. Olá tudo bem? Adorei seu post, e fiquei muito empolgada com o conteúdo, é um dos gêneros literários que leio bastante e confesso que gosto da maioria das obras, até breve!

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  5. Oiiii


    Realmente são temas necessários, mas se sou bem sincera, são livros que eu evito. Sou sensível a certos temas, e literatura baixo astral como são os sick lit geralmente me deixam baixo astral. Li 13 reasons why por exemplo e fiquei um tempão pensando naquilo tudo. Enfim, acho que é pra um certo tipo de leitor esse gênero, não pra todos, sabe.

    Beijos, Alice

    www.derepentenoultimolivro.com

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  6. Eu acho que é tudo uma questão de saber dosar as leituras.
    Eu recomendaria para meus sobrinhos, sim! Acho que apesar dos temas pesados e da carga emocional, são importantes para despertar a empatia e conhecer outras realidades. Eu sou sensível a certos temas e tento ler aos pouco. Mas quando se é um YA eu me aventuro mesmo assim

    Sai da Minha Lente

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  7. Oi. Primeiro, feliz aniversário para você. Sobre o estilo melancólico e triste é comum em alguns clássicos, mas os livros atuais mais juvenis não fazem muito meu estilo, acho que o niilismo é uma coisa maravilhosa quando se sabe trabalhar, o mesmo vale para essas outras temáticas, mas por exemplo, Os 13 Porquês banaliza qualquer coisa que deve ser vista com seriedade. Então, esse livros mais voltados apenas para alimentar um mercado, não me chama atenção.

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  8. Não conhecia esse termo, tenho costume de ler a sinopse ou uma resenha para escolher o livro e nunca me liguei muito no gênero dele, então não conheço bem essas classificações, achei super interessante ♥

    Beijos!

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