[Resenha] Suzy e as Águas-Vivas: amizade, luto e culpa.

A história de Ali Benjamin é a grande estrela de abertura do novo projeto literário do blog: #TBR21. Dentre tantas leituras, 12 livros foram escolhidos para cada mês do ano.

A leitura deles é de extrema importância e recebem uma atenção especial no ig @hilunetaliteraria na última semana do mês com a postagem de resenha, quotes, informações e muito mais

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Suzy Swanson pode ter apenas 12 anos, mas tem um conhecimento vasto sobre o que as pessoas podem (ou não) saber. Ela sabe que tudo tem uma explicação, uma resposta plausível para causa e efeito. Nada simplesmente acontece.

Mesmo assim, Zu não consegue explicar como sua ex-melhor amiga, Franny Jackson, se foi tão rápido. Em um passeio de sua escola para o aquário, acaba deixando a sua turma de lado e entra em uma curiosa exposição repleta de águas-vivas que podem ser a chave para suas respostas.

Título: Suzy e as Águas-Vivas
Título Original: The Thing About Jellyfish
Autor(a): Ali Benjamin
Edição: Verus Editora, 223 páginas
Minha Nota: ⭐⭐⭐⭐ (4/5)

Suzy Swanson está quase certa do real motivo da morte de Franny Jackson. Todos dizem que não há como ter certeza, que algumas coisas simplesmente acontecem. Mas Suzy sabe que deve haver uma explicação — uma explicação científica — para que Franny tenha se afogado.

Assombrada pela perda de sua ex-melhor amiga — e pelo momento final e terrível entre elas —, Suzy se refugia no mundo silencioso de sua imaginação. Convencida de que a morte de Franny foi causada pela ferroada de uma água-viva, ela cria um plano para provar a verdade, mesmo que isso signifique viajar ao outro lado do mundo... sozinha. Enquanto se prepara, Suzy descobre coisas surpreendentes sobre o universo — e encontra amor e esperança bem mais perto do que ela imaginava.
Suzy e as Águas-Vivas é um livro bem curtinho, mas cheio de ensinamentos sobre amizade, a pré-adolescência, bullying  e sobre o quão longe podemos ir para provar algo que não queremos aceitar, uma culpa que se expande além de você e reflete nas pessoas ao seu redor.

A história vai ganhando forma como um relatório científico, são sete fases que trazem mais elementos e informações que se intercalam entre o passado e o presente de Suzy e Franny. Descobrimos a causa da culpa que assombra Zu, assim como o motivo para ela não querer falar, talvez até por uma simplicidade, mas o efeito dessa decisão é arrebatador, principalmente para os pais.
Se as pessoas ficassem em silêncio, poderiam ouvir melhor o barulho de sua própria vida. Se as pessoas ficassem em silêncio, o que elas falassem, quando escolhessem falar, se tornaria mais importante. — pág. 92
É interessante observar o andamento da pesquisa de Suzy, as descobertas e o quão entorpecida estava naquilo. Senti até mesmo um aperto no peito, uma agonia de vê-la se sentindo como a vilã e causadora de algo que nem mesmo hoje conseguimos explicar. Os momentos que ela conta em um looping até cinco após descobrir alguns dados científicos e ficar somando e não conseguindo parar só me fazia querer ajudá-la. Ela precisava dessas respostas para se ver livre desse fantasma.

Essa busca por uma razão chega ao ápice em sua conclusão, trazendo algo mirabolante demais para uma criança ter feito e que não teve uma consequência muito significativa. Aconteceu, descobriram e tudo bem, voltaremos ao normal. Como isso foi nas últimas páginas, não teve um embate forte para leitor, mas que deixou sua conclusão a desejar.
Talvez o fim de todas as pessoas não seja o dia em que elas realmente morrem, mas a última vez em que alguém fala com elas. Quando você morre, talvez não desapareça de fato, mas se apague em uma sombra, escura e disforme, apenas com os contornos visíveis. — pág. 182
Benjamin traz assuntos relevantes, uma história com potencial e discussões necessárias. A forma como o luto pode mudar uma criança é abordado com sensibilidade, muitas vezes com profundidade e muitas frases marcantes. É um livro para abraçar os personagens, entendê-los o melhor que puder e aprender que para recomeçar, não precisamos esquecer alguém que amamos e sim manter conosco alguma parte dela.


2 comentários:

  1. Italo, nossa amei a resenha e entrar em contato com este livro que fará parte do meu trabalho com jovens por tratar temas tão atuais e singulares como amizade, a pré-adolescência, bullying, o efeito e significado do luto para cada pessoa.

    Grande abraço
    Tânia Bueno

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  2. Olá, já percebi que a leitura emociona, gostei da abordagem do autor, o livro é novidade para mim, porém acredito ser uma leitura bacana e daria uma chance com certeza, saber sobre o luto presente na obra me deixou conectada de alguma forma, recentemente passei por isso e acredite não é fácil, nunca é, beijos!

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